sábado, 3 de abril de 2010

Refletindo nas páginas de nossas vidas

“Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna”.[1]

Inegavelmente, dentre todas as modalidades de se fazer arte, viver é a mais bela e a mais fascinante. De fato, as inúmeras situações que somos levados a passar, as mil soluções que encontramos para driblar as dificuldades, bem como para saber caminhar nas facilidades, torna-nos verdadeiros artistas da vida.
Quando, porém, observamos a recomendação do Mestre Jesus – “eu vim para que elas (as ovelhas, que somos nós) tenham vida e a tenham em abundância”
[2] [3] -, somos levados, de uma ou de outra maneira, a fazer uma reflexão sobre que tipo de vida estamos levando, sobre qual obra de arte estamos a desenvolver em nossos dias. Será que estamos conseguindo construir uma vida de abundante alegria espiritual?
Como seja, o fato é que os dias são páginas que escrevemos no livro de nossa existência. Desse modo, todos somos escritores, muito embora diferentes, já que também somos o personagem principal de nossas tramas. Neste sentido, é prudente aprendermos com os literatos de ordem convencional para podermos criar epopéias que se tornem um verdadeiro best-seller.
Em um processo de criação literária, para se escrever bem, é preciso reler, constantemente, o que se cria. Desta forma, consegue-se rever erros em frases e rearrumar o enredo. Podendo-se, mesmo, reescrever aquilo que se julgue necessário.
De igual modo, no livro de nossa vida, indispensável é a releitura diária das ações de nossos dias, que são as palavras que colocamos no papel dos nossos destinos. Obviamente, diferentemente do escritor convencional, não temos a oportunidade de apagar as sentenças erradas que digitamos, pois que a caneta que utilizamos deixa a sua tinta grafada nos arquivos do espaço da consciência. Entretanto, se não podemos modificar o rumo da flecha depois que a atiramos, temos a oportunidade de limpar as feridas que ela causou pelo caminho.
Refletindo, portanto, constantemente, nas páginas de nossas vidas, conseguiremos escrever livros luminosos que poderão ajudar outros indivíduos, também escritores, no rumo de suas reencarnações, cumprindo, assim, a recomendação do Rabi da Galiléia – “brilhe diante dos homens a vossa luz”.
[4]
Não foi sem razão, pois, que Santo Agostinho, tecendo comentários à Allan Kardec em torno do auto-conhecimento, informou-lhe que, ao fim do dia, interrogava a própria consciência na busca de saber aquilo que havia feito de certo e de errado. [5] E foi por isso que Paulo de Tarso exortou – “Examinai-vos se estais na fé; provai-vos a vós mesmos”[6], “examine cada qual as suas obras”. [7]
Jovem, nas páginas que escreves em tua mocidade, não te esqueças desta imprenscindível auto-reflexão. O mundo pode até dizer – “quem muito pensa, pouco faz”-, mas se esquece o mundo que quem muito faz sem refletir, geralmente, cai mais facilmente em erros.
Não penses, ainda, que o teu livro não é lido ou é ignorado. Sem perceberes, possuis leitores diárias assíduos, quer estejam sequiosos de aprendizado, quer estejam à procura da crítica. Mas, invariavelmente, com as nossas atitudes, todos somos lidos rotineiramente.
Assim, se desejamos estar melhores amanhã, escrevendo defechos de vida felizes, “justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna”.

Leonardo Machado

(artigo originalmente publicado na Revista Reformador)




[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. 86.ed. Rio de Janeiro : FEB, 2005, comentários à questão 919a, p. 477.
[2] João 10: 10.
[3] N. Autor: As explicações entre parênteses são minhas.
[4] Matheus 5: 16.
[5] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. 86.ed. Rio de Janeiro : FEB, 2005, comentários à questão 919a, p. 475.
[6] 2ª. Epístola de Paulo aos Coríntions 13:5.
[7] Epístola de Paulo aos Gálatas 6:4.