quarta-feira, 19 de maio de 2010

Vários tipos de Espiritismo?



O centenário de Chico Xavier, verdadeiro homem de bem, vem motivando crescente interesse pelo Espiritismo, ao mesmo tempo que evidencia a necessidade humana de encontrar explicações racionais sobre perguntas fundamentais do existir. Permita-me, portanto, caro(a) leitor(a) amigo(a), abordar nestes domingos algumas questões importantes sobre ela, bem como expor os seus princípios doutrinários.


A palavra Espiritismo. A Doutrina dos Espíritos surgiu em 18/04/1857 com a publicação de “O Livro dos Espíritos”, na livraria Dentu, da Galerie d’Orléans, Palais Royal, construção que existe até hoje e fica nos arredores do Museé du Louvre em Paris, França. Ao professor Rivail, importante intelectual da época, coube a tarefa de organizar este livro de perguntas e respostas, as quais foram dadas pelos espíritos através de médiuns. Outros compêndios também surgiriam e formariam a codificação espírita. Desejando, porém, que as idéias e não a sua fama acadêmica atraísse as pessoas, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, nome que teve em uma reencarnação como Druída. Neste sentido, Kardec criou novos nomes para designar coisas novas. Assim, como se lê no início da introdução do supracitado livro, espiritismo, espírita e espiritista foram termos feitos para designar seus adeptos e esta nova doutrina, a qual trazia explicações renovadas para fatos e crenças antigos.


Não há subtipos de Espiritismo. Ora, se o termo foi confeccionado por Allan Kardec, não há como existir vários tipos de Doutrina Espírita. É até uma questão de direitos autorais – falemos com humor. Não existe, portanto, alto, médio ou baixo Espiritismo. Existe o Espiritismo codificado por Allan Kardec e diversas crenças espiritualistas, cada qual com a sua devida denominação. Na Inglaterra, há várias igrejas do espiritualismo. Em nosso país, há vários templos de religiões afro-brasileiras. Estas duas, no entanto, não podem e nem devem ser chamadas de Espiritismo, pois, além de uma questão cronológica e autoral, esposam crenças e práticas diversas. Não são melhores, nem piores, apenas são diferentes, e, obviamente, têm seu valor e merecem nosso mais profundo respeito. Contudo, não se podem autodenominar Espíritas. Alguns, gostam de enfatizar Espiritismo Kardecista. Respeitamos a posição. Entretanto, a mim, me parece algo redundante, além de fortificar a falsa idéia de que existiria uma Doutrina Espírita que não fosse Kardequiano.


A palavra espírita na Bíblia? Uma segunda consequência óbvia do que explicamos anteriormente é que sendo termos criados há pouco mais de 150 anos, como poderiam constar em traduções bíblicas, livro multimilenar? Ficamos, até certo ponto, assustados com a falta de senso crítico dos indivíduos quando nos transcrevem - geralmente nos condenando ao inferno por e-mail - passagens bíblicas que trazem as palavras espírita e espiritismo, ipsis verbis, no sentido condenatório. De nossa parte, só podemos alertar e orar a Deus, pois tais traduções, além de quererem gerar intolerância e fanatismo, não são, por uma questão histórica, credoras de confiança. Como podemos profanar um livro que dizemos ser a palavra de Deus?


Ficamos por aqui. Nos próximos domingos, falaremos mais de Espiritismo.



Leonardo Machado

(artigo publicado originalmente na Coluna Religiões do Jornal do Comércio)

0 comentários: